“O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.”

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Camilo avança no território de Eunício e recebe adesão do município que deu maior percentual de votos ao peemedebista no primeiro turno

Aliados de Camilo Santana conseguiram nesta sexta-feira (10) a adesão do ex-prefeito de Quiterianópolis, Chico Vieira, que no primeiro turno apoiou Eunício Oliveira. O município registrou o maior percentual de eleitores do peemedebista, com 80,96% dos votos válidos.


O deputado federal reeleito Domingos Neto (Pros) esteve à frente do processo de adesão do ex-prefeito. “Superada a tensão da disputa proporcional, os deputados estão livres e disponíveis para visitar cada liderança, sensibilizando todos e todas para a importância de o Ceará continuar com este projeto que já melhorou a vida da população e vamos avançar muito mais”, disse Domingos Neto.


Blog do Eliomar

STJ nega habeas corpus e A Onde É continua preso

O Superior Tribunal de Justiça (STF) negou mais um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do vereador Antônio Farias de Sousa – o “A Onde É” (PTC). O parlamentar está preso desde dia 26 de setembro, quando foi detido em flagrante após sacar dinheiro de um assessor parlamentar. O advogado dele nega e aponta abuso do Ministério Público (MP-CE) no caso.

A vítima estava com o vereador e confessou estar sendo constrangido a entregar ao parlamentar o valor integral do salário, R$ 1.900, há dois meses, segundo Socorro Portela. O assessor disse ainda que, em setembro, pediu demissão do cargo, mas o pedido foi negado pelo vereador.
O advogado Leandro Vasquez afirmou que houve um “erro de interpretação” na prisão do parlamentar. Segundo ele, o assessor, chamado Juarez, e um amigo em comum com o vereador, chamado Pedro, estavam na agência, onde o assessor emprestaria dinheiro para o amigo retirar uma moto detida. A Onde É teria sido chamado por ambos e, quando chegou ao local, houve a abordagem policial.

Segundo investigação do órgão, o vereador teria desviado Verba de Desempenho Parlamentar (VDP) utilizada para uso de gabinete. O parlamentar teria ainda cobrado “pedágio” sobre salário de assessores, guardando parcela dos pagamentos para si.
(O Povo)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Carlomano Marques chuta o pau da barraca contra Eunício Oliveira

Olha só a correspondência que o deputado estadual Carlomano Marques (PMDB) mandou para o presidente regional do PMDB, senador Eunício Oliveira, com cópias para os parlamentares da legenda e que repassou para este Blog:
Amigos(as) parlamentares, quero dar-lhes ciência dos caminhos e veredas em que está caminhando a política de nossa terra:
Sr. Eunício Oliveira,
Registro a minha indignação com a sua atitude burlesca, tonta e mofina. Quero de plano deixar claro que não aceito o ridículo e muito menos ser tratado como fantoche. Espanco para longe a sua admoestação.  Não faço pajelança nem me encaixo no tipo de curva que o Sr. Pretende. Não sou cortesã.  Não sou seu empregado e muito menos seu meirinho. Não faço parte do seu circo. Nunca beijei o nó da peia e, fique certo, nunca beijarei. Não esperava uma atitude tão traiçoeira; nem sua,  e menos do seu blog de aluguel. Não me escravizo à lama da sua urbanidade. Há um delito de opinião. Nestes momentos é que o homem de caráter recorre a si mesmo. Seu movimento é de ação; sua tática é de guerra, mesmo sabendo-se  em desvantagem: avançar sempre; recuar jamais!
Ser grande é sustentar uma grande disputa, com chance quase zero de vitória. É a velha estratégia: quem tem mais, perde mais!  A dificuldade atrai o homem de caráter na mesma proporção que a facilidade atrai os frágeis. Na guerra existem príncipios,  mas poucos;  no seu exercício político não consigo identificar nenhum.  O cidetismo o cegou: cego cegado pela cegueira dos cegos. Olha, mas não vê; vê, mas não enxerga; enxerga, mas não decodifica.
Não encontro no senhor  nenhum traço de respeito aos seus liderados. Não quero seu dinheiro nem preciso dele. Do senhor  basta-me a distância. A única melancolia é descobri-lo um pobre homem rico. Apresenta-se como ouro, mas é pirita.  Parece linho, mas é chita. Parece um forte, mas é fraco. Dizem que o Sol é um bom detergente,  mas a criolina da atitude é mais eficaz.
Deixo, para reflexão,  um verso de Jáder de Carvalho: “Na minha terra o cangaceiro é leal e valente: jura que vai matar e mata. Jura que morre por alguém e morre. Se o homem é bom – eu o respeito. Se gosta de mim, morro por ele. Se, porque é forte,  entender de humilhar-me, aí, sertão. …”
CARLOMANO MARQUES
Deputado Estadual-PMDB.
DETALHE – Resta saber o porquê de tal rebeldia de Carlomano contra seu então amigo Eunício Oliveira.
(Eliomar de Lima)

Sem voto, candidatas "fantasmas" serviram para cumprir cota feminina

Para cumprir legislação que determina que o mínimo de candidaturas de cada sexo é de 30% e o máximo de 70%, partidos lançam mão de “candidaturas fantasmas”, em que o nome é registrado apenas para preenchimento da cota, mas não há campanha ou atividade política para que a eleição ocorra.

Dessa forma, nas eleições deste ano, o Ceará contabilizou três candidatas com nenhum voto, mesmo com a candidatura deferida, ou seja, regular. As candidatas Di Neia (PTC), Iracema Alves (PTC), Evania Xavier (PR) foram as que tiveram os nomes acompanhados por um 0 (zero) no sistema que divulga os resultados.

Entre as 30 candidaturas a deputado estadual que receberam 10 votos ou menos, todas são de mulheres. Já entre as 10 candidaturas a deputado federal que receberam 100 votos ou menos, há apenas um homem. Dessa forma, as candidaturas com as menores proporções de votos são de mulheres no Ceará.

Segundo o presidente municipal do Partido Trabalhista Cristão (PTC), Roberto Lima, as duas candidatas ao cargo de deputada estadual que não computaram um voto sequer tiveram as candidaturas lançadas para que o PTC cumprisse a legislação.

“Elas aceitaram emprestar seus nomes para o partido conseguir completar seus quadros”, afirmou Roberto. Segundo ele, as duas são filiadas ao PTC e comprometidas com outros candidatos, por isso, não houve campanha, intenção de eleição ou votos delas em seus próprios nomes.

O presidente do Partido Social Democrata Cristão (PSDC), Ely Aguiar, que também teve alguns candidatos entre os que registraram poucos votos, indica que a lei é equivocada. Segundo ele, há grande disponibilidade de vagas, até pela quantidade de partidos existentes, mas a procura ainda é pouca, apesar de a participação feminina vir aumentando.

“Todo partido tem dificuldades para preencher as vagas. É preciso garimpar. Se mulher é ouro, se transforma em mais ouro ainda (em época de eleição), porque é muito partido. Criaram essa lei, mas a procura não é grande”, complementou. Ely Aguiar afirmou que “é comum mulheres que saem candidatas só para preencher (a cota da lei). A mulher está se envolvendo na política gradativamente, então os partidos tem muita dificuldade”, reiterou.

Brecha na lei
Segundo o procurador regional eleitoral, Rômulo Conrado, juridicamente não há o que se fazer com essa prática. “A lei não exige que as candidaturas sejam viáveis, sejam acompanhadas de uma participação política. É um requisito legal, mas não encontra ressonância na sociedade e nos partidos”, comentou o procurador.

Ele complementa que, após o registro da candidatura, muitos podem não levar o processo adiante justamente porque o que é levado em conta é o registro. Para Rômulo, a “brecha legal” só poderá ser efetivamente contornada quando houver um estímulo maior para a participação feminina. (Samaisa dos Anjos)
(O Povo)

Julgamento da desaposentação é adiado no Supremo Tribunal Federal

O grande caso da pauta desta quarta-feira (8/10) no Supremo Tribunal Federal ficou para o dia seguinte. O julgamento sobre a possibilidade de os aposentados voltarem a trabalhar, com recolhimento de contribuição previdenciária, e consecutivo recálculo do benefício após se aposentarem novamente — a chamada "desaposentação" — foi incluído na pauta desta quarta pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowkski, que pretendia resolver a questão antes do fim desta semana. Mas com o adiamento, ficou mais difícil a conclusão dos planos do presidente.
A discussão é uma das que mais preocupam o governo federal. De acordo com a Advocacia-Geral da União, o prejuízo para os cofres do INSS nos próximos 20 anos pode chegar a R$ 50 bilhões caso a hipótese seja admitida pelo Supremo. Já há inúmeras decisões de outras instâncias a respeito, contra e a favor. 
O que o presidente do STF pretendia fazer era levar o caso a julgamento e chamar a atenção da União em um momento de crise entre o Judiciário e o Executivo. A briga começou por causa do corte na proposta de orçamento do Judiciário feito pela Presidência da República no Projeto de Lei Orçamentária de 2015. Os ministros do Supremo entendem que a atitude foi autoritária e inconstitucional, pois a Presidência deveria deixar a íntegra da proposta do Judiciário no projeto, e não fazer cortes de acordo com as possibilidades dos cofres da União. 
Sinal claro da indisposição entre Supremo e governo é a pauta desta quarta, que trazia os processos sobre desaposentação e sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. A discussão tributária, segundo a Receita Federal, pode causar um impacto de R$ 250 bilhões aos cofres federais, caso a União saia derrotada.
Lewandowski pretendia começar a sessão desta quarta com a desaposentação, mas não conseguiu. Ele prefere que o julgamento seja feito com quórum completo, e o ministro Gilmar Mendes chegou atrasado ao Plenário. Quando sentou em sua cadeira, já havia começado a discussão de outro caso, sobre as divisas da Bahia com Goiás, Tocantins e Piauí.
Nos corredores, o ministro Lewandowski reclamou do atraso do ministro Gilmar, dizendo ter sido proposital. Mas o fato é que depois do julgamento das divisas estaduais, foi chamado o caso da incidência do ICMS na base de cálculo da Cofins.
O ministro Gilmar, por sua vez, não faz questão de esconder que é contra julgar a desaposentação, um caso que trará prejuízos aos cofres públicos federais, em pleno contexto eleitoral.
E no caso do ICMS, Gilmar Mendes precisava levar seu voto-vista, pronto desde dezembro de 2007, mas nunca pautado. O voto foi longo, de mais de uma hora e meia, e foi a favor da União. Para Lewandowski, a demora foi proposital, já que, depois do voto, só deu tempo de o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso da desaposentação, ler seu relatório e propor que as cinco sustentações orais sejam feitas nesta quinta-feira (9/10).
(Conjur)

Meu filho está doente. Posso faltar o trabalho?



O que podemos dizer sobre o tema, inicialmente, é que ainda não existe nenhuma lei obrigando a empresa a aceitar o atestado de acompanhante da mãe quando precisa levar seu filho ao hospital por motivo de doença, por exemplo.

Dessa maneira, a empresa NÃO está obrigada a abonar a falta do empregado quando este apresenta um atestado de acompanhante, ainda que argumente que não havia ninguém com quem deixar a criança.

É claro que é de uma falta de sensibilidade imensa por parte da empresa não abonar a falta desse empregado, porém, do ponto de vista estritamente LEGAL, repetimos: não existe lei que obrigue a empresa a abonar essa falta.

No entanto, MUITAS convenções coletivas de variadas categorias já possuem uma cláusula específica no sentido de obrigar as empresas a abonar faltas mediante apresentação de atestado de acompanhante.
(Diário do empregado)

'Vida alienígena achada na estratosfera prova que descendemos de extraterrestres', dizem cientistas



RIO - Pesquisadores da Universidade de Sheffield e do Centro de Astrobiologia da Universidade de Buckingham, na Inglaterra, afirmam que partículas descobertas na estratosfera da Terra são a tão esperada prova de vida extraterrestre. Os cientistas afirmam também que suas descobertas explicam as origens da humanidade e revelam que a vida na Terra veio originalmente do espaço, segundo o jornal "Independent".

O professor Milton Wainwright e sua equipe fizeram a descoberta após o lançamento de um balão na estratosfera durante a chuva de meteoros Perseidas no ano passado. O balão foi lançado a uma altitude de 27 quilômetros na atmosfera e equipado com lâminas estéreis projetadas para capturar organismos biológicos minúsculos.

Durante a viagem, uma das lâminas capturou um organismo, com tamanho em torno 10 microns, que Wainwright diz que é uma estrutura "coloquialmente chamada de 'a partícula de dragão', a qual a análise científica mostra que é feita de carbono e oxigênio e, portanto, não é um pedaço de poeira cósmica ou vulcânica"

Em entrevista ao Daily Express, Wainwight explicou que não estava claro se o organismo era uma forma única de vida ou se era composta de uma série de micróbios menores. Ele também disse categoricamente que a entidade biológica não é similar a "qualquer coisa encontrada na Terra".

- O que é surpreendente é que esses organismos originais aparecem na amostragem em uma condição absolutamente intocada - disse ao jornal. - Não há pólen, grama ou partículas de poluição encontradas com eles, ou ainda o solo ou poeira vulcânica. Isso, mais o fato de que alguns dos materiais biológicos colhidos pela equipe produzem crateras de impacto quando atingem as amostras, confirmam a sua origem no espaço.




No entanto as declarações do Professor Milton Wainwright têm atraído críticas da comunidade científica. Um astrobiólogo disse ao site Space.com que Wainwright precisaria mostrar que o organismo foi composto todo por aminoácidos D em vez de aminoácidos L, ou seja, algum tipo de prova de que os resquícios não continham a mesma bioquímica de objetos terrestres.

Além disso, o "Journal of Cosmology", onde o artigo com a suposta revelação bombástica foi revelado, teve sua reputação questionada por mais de uma vez por outros membros da comunidade científica.

Contudo, as observações do professor Wainwright podem dialogar com outras. Suas afirmações vêm à tona poucas semanas depois de os cientistas russos afirmarem ter descoberto vestígios de vida marinha do lado de fora da Estação Espacial Internacional (ISS).

Vladimir Solovyev, funcionário encarregado do segmento de ISS da Rússia, disse à agência de notícias Itar-Tass que o minúsculo plâncton e organismos microscópicos tinham sido descobertos no exterior da sonda, descrevendo a descoberta como "absolutamente única".

Foi a primeira vez que organismos complexos foram descobertos no espaço, e muitos acreditam que a descoberta confirma a teoria de que toda a vida na Terra se originou a partir do espaço.

(O Globo)

Tasso quer condicionar apoio a Eunicio com apoio a Aécio

Corre a boca miúda que, após ser sulfragado senador pelo povo cearense e ter sido o principal responsável pela alavancagem do nome de Eunicio Oliveira no primeiro turno da eleição para governador, Tasso Jereissati teria declarado que só pretende continuar apoiando Eunício , caso ele declare apoio ao tucano Aécio Neves (PSDB) no segundo turno para presidência contra Dilma Rousseff (PT).

Segundo o blogueiro Tadeu Nogueira, do Blog Camocim Online, o recado foi dado. Falta saber se Eunício vai ter coragem de fazer essas desfeita com o "galeguim".
(Sobral em revista)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Inflação em Fortaleza é a terceira menor do Brasil em setembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, ficou em 0,57% em setembro deste ano. Em agosto, a taxa havia sido 0,25%. Já em setembro do ano passado, o IPCA havia ficado em 0,35%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 Com a alta de setembro, a inflação acumulada no ano está em 4,61%. O resultado ficou acima da inflação registrada no mesmo período de 2013 (3,79%). A inflação acumulada nos últimos 12 meses (taxa anualizada) ficou em 6,75%, também superior aos 6,51% relativos aos 12 meses anteriores.
 Dentre os índices regionais, Fortaleza apresentou a terceira menor variação de setembro (0,07%), atrás apenas de Campo Grande (-0,07) e Belo Horizonte (-0,02%). A variação acumulada do ano ficou abaixo da média nacional, apresentando 4,12%. O maior índice regional foi o de Belém (0,98%).
 Os dados do IPCA foram influenciados pela alta nos preços do item Alimentação e Bebidas, que, após três meses em queda, voltaram a subir e foram para 0,78%, o maior resultado de grupo em setembro. O grupo é mais importante na despesa das famílias, com peso de 24,73%, e teve impacto de 0,19 ponto percentual, ficando responsável por cerca da terça parte do índice.
 Nos transportes, a alta foi de 0,63%, ao passo que, em agosto, havia ficado em 0,33%. Com a expressiva elevação de 17,85%, as passagens aéreas se apropriaram de 0,07 ponto percentual do IPCA e só foram superadas pelas carnes (0,08%) no ranking dos principais impactos do mês. No grupo, outros itens importantes influenciaram o índice. É o caso dos aumentos verificados nos serviços de conserto de automóveis (1,35%) e na compra de automóveis novos (0,76%).
 O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo as dez regiões metropolitanas do país, além de Brasília e dos municípios de Goiânia e Campo Grande. 
(O Povo)

A um mês da prova, entenda como é calculada nota do exame


Em um mês, mais de oito milhões de pessoas em todo o Brasil farão as primeiras provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2014. Além dos últimos ajustes na preparação, familiarizar-se com as características da prova e com o método de correção é importante nesse período, indica Rayron Pinheiro, 22. Ele fez o último exame e hoje cursa o primeiro semestre de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Para que a pessoa possa se preparar para o Enem é primordial que entenda também a metodologia de correção da prova”, alerta o jovem.

A Teoria da Resposta ao Item (TRI) é o cálculo adotado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo exame, para elaborar a nota de cada candidato. Não é uma metodologia fácil de entender, comenta Rayron, “mas o método é simples”.

Resumidamente, o TRI calcula o resultado das provas de acordo com a dificuldade de cada item - há questões selecionadas como fáceis, médias e difíceis - e a coerência das respostas - para identificar se houve “chutes”.

Professor do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dalton Francisco de Andrade explica que o método se mostra mais adequado para medir uma grandeza - no caso, o conhecimento em determinada disciplina - para a qual não existe uma ferramenta objetiva. Para isso, é necessário um questionário, como são as provas do Enem. O resultado, porém, não se detém apenas ao número de itens acertados.

“A teoria procura dar nota maior para as pessoas que tiveram maior acerto na lógica da medida que é colocada”. Ainda assim, ele alerta, o ideal é que os candidatos não deixem questões em branco - quanto mais acertos, maior a nota.

A lógica, o professor explica, é que a pessoa que faz a prova acerte as questões até o nível onde seu conhecimento vai. Por exemplo: se duas pessoas, na mesma prova, acertarem o mesmo número de questões, terá uma maior nota aquela que tiver solucionado as questões de nível mais parecido. Nesse caso, o resultado do concorrente que acertou questões de níveis destoantes será menor.

“Quem faz a prova vai acertando até o nível que domina. Depois daquilo, quando atinge o nível de proficiência, é esperado que erre”, aponta. “O TRI não valoriza tanto a nota das pessoas que erram questões fáceis e acertam questões difíceis. O esperado, nesse caso, é que, se ela errou o fácil, é porque está ‘chutando’ e fez esse acerto no difícil”, detalha. O método é elaborado através de probabilidades.

Um ponto positivo que o professor Andrade frisa é a possibilidade de, com a escala de valores de questões, níveis compatíveis serem atribuídos a provas com questões diferentes. Ele cita, por exemplo, as provas do Enem aplicadas em presídios no dia seguinte à realização do exame. “A TRI permite que você possa fazer várias provas no mesmo ano, com questões diferentes, e todas estarem na mesma escala (de dificuldade)”, comenta.

“A medida que a TRI dá é uma nota mais justa, que leva em conta o acerto e o erro”, define. O problema, ele diz, é que o método exige um conhecimento estatístico e matemático para ser compreendido. “Quando a pessoa sai da prova, ela não sabe exatamente qual é a nota dela baseado só no número de questões”.
(O Povo)

Disputa por apoio de Marina cresce, mas transferência de votos é dúvida

Um pacote de 22 milhões de votos que, no primeiro turno, foram dados à ex-candidata à Presidência Marina Silva (PSB) tem arregalado os olhos de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), e motivado intensa disputa pelo apoio formal da coligação “marineira”. A cúpula do PT assiste, quase conformada, à aproximação de Marina com Aécio, mas aposta nas dissidências do PSB nos estados para neutralizar possível prejuízo. Enquanto isso, os tucanos investem ostensivamente na aliança, que poderá ser anunciada amanhã.

Ontem, o presidente do PSB do Ceará, Sérgio Novais, esteve em Brasília para discutir a posição do Estado. Por aqui, 676,7 mil votos antes confiados à Marina poderão flutuar para Dilma ou Aécio. A definição da sigla sairá até o fim desta quarta-feira. O presidente do PPS no Ceará, Alexandre Pereira, também esteve na capital federal e participou da reunião que formalizou apoio a Aécio. Integrante da Rede Sustentabilidade no Estado, Ricardo Alcântara, disse acreditar em um “apoio programático” pró-tucano. “Existem muitos pontos convergentes nos programas. Acredita-se que não haverá dificuldade”, disse Alcântara.

Uma comitiva do PSB de Pernambuco – lugar onde 2,3 milhões de eleitores optaram por Marina – viajou ontem a São Paulo para se encontrar com a ex-candidata e estudar os termos para a possível aliança. Mas outra parte do PSB já avisou que deverá ficar ao lado de Dilma, independentemente de qualquer acordo nacional. É o caso da Paraíba, onde PT está no palanque do governador e candidato à reeleição, Ricardo Coutinho (PSB), e do Amapá, onde o atual chefe do Executivo, Camilo Capiberibe (PSB), também conta com apoio dos petistas na briga pela reeleição.

Em outra frente, Aécio pode ser atrapalhado pelas cobranças de neutralidade neste segundo turno. A deputada e uma das coordenadoras da campanha de Marina, Luiza Erundina (PSB-SP), foi incisiva: “Nós não dissemos o tempo inteiro que queríamos mudança? Não propúnhamos o fim da polarização? Se nós apoiarmos um dos polos, não vamos justamente fortalecer um dos polos e, portanto, justamente a polarização que combatemos?”, disse ela.

Migração automática?
O capital eleitoral de Marina é uma das apostas de petistas e tucanos para avançar no segundo turno, mas, nos bastidores, aponta-se que dificilmente a migração dos votos dos “marineiros” ocorrerá em bloco para um só candidato, independentemente do apoio formal que a coligação de Marina venha a conceder.

“Podemos dizer, pelo resultado da eleição, que praticamente 55% do eleitorado está contra o governo. Daí à maioria dos votos de Marina ir para o Aécio é outra história. Boa parte do eleitor dela é o de esquerda, que estava insatisfeito com o PT, mas que não vota no PSDB”, avaliou Alexandre Pereira, que ontem esteve na capital federal para a reunião que definiu o apoio do PPS nacional à candidatura tucana.

Por outro lado, conforme explica o cientista político Milton Lahuerta, há uma parte dos brasileiros que optaram por Marina, sobretudo “da região sudeste para baixo”, com claro perfil anti-PT, com tendência a digitarem o número de Aécio no próximo dia 26. O grupo iria de encontro com queles que, apesar da insatisfação com o governo petista, poderão votar pragmaticamente em Dilma para impedir o avanço do PSDB. (com agências)
 (O Povo)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Interior de Camilo Santana; Fortaleza de Eunício Oliveira

O segundo turno das eleições no Ceará vai ser acirrado. Prova disso é o resultado do primeiro turno, que previa até uma possível vitória do candidato Eunício Oliveira (PMDB). Mas o que se viu foi o candidato Camilo Santana (PT), apoiado pelo governador Cid Gomes liderar esse primeiro turno com 47,81%, contra 46,41% de Eunício.

O Ceará está dividido, com as Regiões Norte e do Cariri com predominância da candidatura petista. Eunício obteve mais votos em grandes colégios eleitorais, como Fortaleza, Caucaia e Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, além de Iguatu, na Região Centro-sul do Estado. Por isso, a disputa tão acirrada, mesmo Camilo tendo ganhado em quase o dobro de municípios de Eunício.

Dilma sempre à frente
Parece que a força eleitoral que Eunício demonstrou no Estado e a vitória folgada de seu senador eleito, Tasso Jereissati (PSDB), não se refletiram em seus pedidos de votos para o postulante à presidência da República, Aécio Neves (PSDB). É que a candidata da situação Dilma Rousseff foi ampla maioria em todos os municípios do Ceará.

Em Acopiara, por exemplo, Eunício liderou, mas Dilma atingiu 86,75% da preferência dos eleitores. Em Aiuaba a história se repetiu e Dilma ficou com 88,22%. O maior percentual para a candidata à reeleição foi em Jati, com Dilma 89,42%. O menor, em Fortaleza (51,63%).
(O Povo)

PSDB diz que é escândalo emprestar a Cuba. Esqueceram de perguntar por que FHC emprestou

O PSDB não dá para ser levado a sério.
Perdeu completamente qualquer compostura e racionalidade na hora de criticar o governo Dilma.
Só não é exposto ao ridículo porque a mídia brasileira também é ridícula e simplesmente repete o que as “notas oficiais”aecistas publicam no site do partido.
Depois do “mico aéreo” e do “mico da conta do restaurante”, agora o PSDB parte para o “mico cubano”, publicando – com farta reprodução nos jornais - um comunicado em que critica os empréstimos do BNDES às obras do porto de Mariel, em cuba e diz que  os “recursos que vão para a ilha da ditadura castrista – e também para a Venezuela chavista e para outros países, notadamente os ideologicamente alinhados – são os mesmos que faltam para obras estruturantes no Brasil, em especial as de mobilidade urbana nas nossas metrópoles.”
Ontem eu tratei a sério disso, aqui, mostrando que o dinheiro é emprestado – tem sido pago em dia – para aquisições de mercadorias e serviços no Brasil.
Mas tem limite a cara de pau.
Qualquer dia eu vou começar a imprimir e guardar as notícias das coisas que o governo tucano fazia e a posição “indignada” do PSDB sobre as mesmas coisas no governo petista.
E esta é uma delas.
Fernando Henrique diretamente e o BNDES, sob seu comando fizeram empréstimos a Cuba, aliás muito corretamente.
Aqui está o memorando de entendimento entre Brasil e Cuba para financiar a compra de alimentos com recursos orçamentários – reparem, orçamentários, diretamente da União – através do Proex (leia-se Banco do Brasil) em US$ 15 milhões,  firmado em 1998.
Mas foi comida, aí era humantário? E o que dizem do financiamento a ônibus de turismo para a ilha de Fidel, como está consignado no relatório de atividades do BNDES do ano de 2000?
“(…)o apoio do BNDES a exportações de ônibus de turismo e urbanos para Cuba somou cerca de US$ 28 milhões. Cabe destacar o financiamento concedido para a aquisição de 125 ônibus Busscar com mecânica Volvo, utilizados na dinamização da atividade turística desse país, no valor total de US$ 15 milhões”
Mas teve também para a “Venezuela chavista” de que fala a nota do PSDB:
“Projeto da Linha IV do Metrô de Caracas (Construtora Norberto Odebrecht S.A.) – Construção do primeiro trecho, com extensão de 5,5 km. O investimento total do projeto soma US$ 183 milhões, sendo o financiamento do BNDES de US$ 107,5 milhões, correspondentes a 100% das exportações brasileiras de bens e serviços e ao seguro de crédito às exportações.”
Uai, igualzinho ao Porto de Mariel? E com a mesma empreiteira, a Odebrecht?
É verdade que os tucanos fazem uma ressalva: “Fosse o Brasil um país que esbanjasse dinheiro e com questões de infraestrutura e logística resolvidas, poderia até ser compreensível.”
Fico imaginando a cara de Aécio Neves diante de algum repórter que lhe perguntasse se no governo FHC podia-se emprestar dinheiro à Cuba e à Venezuela porque não existiam problemas de logística e infra-estrutura no Brasil dos tucanos.
PS. Aos que, pateticamente, ficam contando os dedos de FHC para sugerir que a foto é montagem, outra, para ficarem cheios de dedos…
(Tijolaco.com.br)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Com apenas um jogo em três semanas, Fortaleza tem tempo para preparar elenco para o mata-mata

A rotina do Fortaleza será incomum nas próximas semanas. O time acostumado a jogar semanalmente na Série C, terá apenas mais uma partida pela primeira fase da competição (contra o ASA), sábado (4), e fica de molho até o dia 19 de outubro. É nesta data que o Leão vai a campo pela fase de mata-mata do torneio. Diretoria e comissão técnica já traçaram o planejamento desses dias que devem servir para recondicionar quem precisa de descanso e preparar quem está chegando. 

Nesse intervalo, o Fortaleza ficará 15 dias jogar partidas oficiais. “Eu só vejo fatores positivos nessa período. Os jogadores vão entrar com condições físicas melhores, para chegar no mata-mata na forma que consideramos ideal em termos de preparação”, afirma o gerente de futebol tricolor, Júlio César Manso.

Um dos jogadores que pode se beneficiar dessa folga é o meia Marcelinho Paraíba. Das 17 partidas que o Leão fez até agora na Série C, o craque ficou fora de apenas de um jogo, contra o Águia-PA, em Marabá.O calendário folgado também veio a calhar para o meia Wellington Bruno e o atacante Zé Paulo. Os dois são os contratados do Leão para a sequência da Série C.

Júlio Manso assinala que a expectativa é que até amanhã eles tenham seus nomes divulgados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, ficando à disposição do técnico Marcelo Chamusca. “Esse tempo maior servirá para eles se entrosarem com o elenco e se prepararem. Não estamos preocupados se eles serão titulares, mas se o técnico terá opções. Temos até o dia 17 de outubro para fazer inscrições de jogadores”, pondera.
(O Povo)

INCRÍVEL HULK: MARINA NÃO!

Foi um dia engraçado.
Marina abriu sua campanha nesta segunda-feira ostentando o apoio do ator norte-americano Mark Rufallo, famoso por interpretar o Incrível Hulk, um filme do qual sou fã.
Ele defende Marina em inglês californiano.
Entretanto, horas depois, Ruffalo, alertado por seus amigos da furada em que tinha se metido, apoiando uma neoliberal de intenções obscuras, alianças reacionárias, e que recuou no apoio ao casamento gay, divulga um comunicado voltando atrás.
Ruffalo NÃO vota nem apoia nem chancela Marina Silva.
Em linguagem política contemporânea, poderíamos dizer que Ruffalo “marinou”.
Só que a gente o perdoa, porque ele não tem pretensão de ser presidente da república de um país com 201 milhões de habitantes.
O ator foi enganado, assim como milhões de brasileiros, achando que Marina era progressista.
Não é.
Marina é a direita de Pastor Malafaia, Marcos Feliciano e Paulo Bornhausen.
Marina é o Itaú.
(Brasil 247)

Ministro suspende propaganda de Marina por ofensa à Dilma e ao PT

Em decisão individual, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin deferiu liminar para suspender propaganda eleitoral da Coligação Unidos pelo Brasil, da candidata Marina Silva, por conter ofensa de caráter pessoal à candidata Dilma Rousseff e à Coligação Com a Força do Povo, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Na referida propaganda, a coligação da candidata Marina Silva alega que eventual corrupção no âmbito da Petrobras tem financiado a base aliada dos partidos que apoiam a Coligação com a Força do Povo.  Afirma, ainda, que a candidata Dilma Rousseff foi chamada a responder perante o Tribunal de Contas da União pelo prejuízo causado pela negociação envolvendo a refinaria de Pasadena, uma vez que, na época, ela fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras.
Na ação contra a peça, a Coligação Com a Força do Povo e a candidata a reeleição Dilma Rousseff sustentaram que na mídia veiculada no dia 25 de setembro, as representadas não se limitaram a tecer críticas de natureza política, mas buscaram veicular informação sabidamente inverídica em prejuízo à honra e à imagem da candidata, atribuindo-lhe responsabilidade inexistente.
Alegaram, ainda, que a propaganda ofende a coligação que tem o PT como um de seus integrantes, uma vez que o acusa de sustentar sua base no Congresso com dinheiro da corrupção, imputando conduta criminosa à agremiação.
No mérito da representação, que será julgada pelo plenário da Corte, a Coligação com a Força do Povo requer direito de resposta com a concessão de tempo não inferior a um minuto correspondente a cada peça de propaganda.
Liminar
Ao decidir, o ministro Herman Benjamin reconheceu que houve excesso no teor da propaganda e ofensa aos partidos que compõem a coligação. “No caso dos autos, ao menos em juízo de cognição sumária, próprio desta fase processual, entendo que há ofensa de caráter pessoal ao PT e partidos da base aliada, bem como exploração indevida de dado que ainda é sigiloso (delação premiada), ou seja, cujo teor o público geral não conhece”, enfatizou em seu voto.
Segundo o ministro, embora o escândalo da Petrobras venha sendo amplamente divulgado na mídia,  não se tem notícia de que a candidata Dilma Rousseff tenha sido responsabilizada pelo Tribunal de Contas da União em relação à compra da refinaria.
Lembrando que o direito de resposta é cabível nas hipóteses em que candidatos, partidos e coligações forem atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, Herman Benjamin afirmou que a suspensão da propaganda é uma medida prudente.
“Ante o exposto, defiro a liminar, a fim de determinar a suspensão imediata da propaganda eleitoral atacada, sob pena de fixação de multa diária”, concluiu o relator.
MC/FP
Processo relacionado: Rp 143090
(TSE)

Entrevista com Cid sobre sua gestão e sucessão estadual

O governador Cid Gomes (Pros), que se licencia do cargo a partir de hoje para se dedicar inteiramente à campanha do aliado Camilo Santana (PT) à sua sucessão, faz os ataques mais duros e diretos ao ex-apoiador e hoje principal candidato de oposição, Eunício Oliveira. Numa conversa de duas horas e meia com O POVO, na tarde da última sexta-feira, Cid diz que recusou-se a aceitar apoiar o nome do peemedebista para liderar sua aliança na disputa de 2014 pelo governo por ele ter “três defeitinhos”. Um deles, aparentemente o mais grave, “misturar política com negócios particulares”.

A conversa tem um balanço altamente positivo sobre os quase oito anos de governo, um mea culpa quanto ao “defeito” de não saber demitir, quando reconhecia as frustrações com os resultados na área de segurança, e uma análise bastante realista do cenário eleitoral. Confira a íntegra:

O POVO – Governador, o cenário que temos hoje no Ceará é aquele que o senhor projetava quando de seu primeiro governo, quase oito anos atrás? O Estado será entregue da forma que o senhor gostaria e imaginava?
Cid Gomes – Tem vários setores com registro de expressivos avanços e, óbvio, setores que não estou satisfeito (com o que foi feito), além dos que não poderiam ser melhores. Vamos tentar descrever aqui um pouco de cada um deles. Na infraestrutura, por exemplo, em energia, o Ceará oito anos atrás era um estado 100 por cento importador. Não se produzia aqui nenhum lote de energia , tínhamos algumas usinas termelétricas que eram usinas de backup, não havia produção permanente. Ao longo desses oito anos o Ceará se transformou num estado exportador de energia. Nós geramos mais de 1.000 megawatts de eólica, somos um dos dois únicos estados brasileiros que ultrapassaram essa barreira, e temos mais 1.200, aproximadamente, de térmicas que funcionam permanentemente. Como nossa demanda, a potência instalada necessária para que tudo rode no Ceará é algo em torno de 1.500, 1.600 megawatts, estamos conseguindo gerar um excedente. E todos sabemos o quanto a energia é estratégica e que já foi, e vez por outra volta a ser, um setor crítico.

OP – Estamos dependentes das termelétricas?
Cid – Não diria isso. É que se resolveu no Brasil, de um certo tempo pra cá, privatizar a geração de energia. Foi uma opção que o País fez ainda na época do governo Fernando Henrique Cardoso, então, privatizaram a distribuição, aqui no Ceará foi vendida a Coelce, e deu-se início à política de leilões para geração de energia. Acabou-se aquele tempo em que o governo fazia direto, fez Tucurui, Paulo Afonso, Itaipu, mas hoje os investimentos na área são privados. É a iniciativa privada que está fazendo Santo Antônio, Girau, através de leilões, quem está fazendo Belo Monte é a iniciativa privada, a geração de energia eólica é feita 100 por cento através de investimentos privados, as termelétricas. Enfim, pode-se dizer que quanto à energia os avanços são extraordinários. Infraestrutura dois: um tema fundamental em qualquer lugar, pra nós mais ainda, que é a água. A despeito da demagogia que reina, especialmente às vésperas de uma eleição, nunca houve tanto investimento em recursos hídricos no Ceará como está havendo agora. Desde ações macroestruturantes, como é o caso do Eixão das Águas... O Castanhão foi feito pelo governo federal, através do Dnocs, mesmo que alguns tentem se apropriar da sua construção. É claro, basta olhar os dados disponíveis para ver que quem construiu o Castanhão foi o governo federal, uma obra que percorreu vários governos mas concluído pelo (ex-presidente) Lula. A água dele para chegar a Fortaleza demanda 200 km de infraestrutura de canais, dos quais, os dois governos anteriores ao meu fizeram 70 km e nós fizemos 130 km para que ela chegasse a Fortaleza. Fiz mais 55 km, já não é canal, é adutora, para chegar ao Complexo Industrial do Pecém. Uma adutora de 2,5 metros, triplicando a oferta de água para o Pecém e a gente sabe que termelétrica precisa, siderúrgica precisa, que qualquer empreendimento industrial precisa. Quanto a Fortaleza, o que está feito já de infraestrutura assegura água para um horizonte de 20 anos e, acrescentando (a transposição) São Francisco, uma obra em execução, a despeito da politicagem querer negar, mas está em plena execução, há seis mil pessoas trabalhando, assegura água para um horizonte de 40 anos. Então, o que São Paulo está vivendo, que é o risco de um colapso de água no final do ano, Fortaleza, em pleno semiárido, tem garantia de 20 e, muito brevemente, mais 20 anos. Graças a ações federais e ações estaduais, como é o caso do Eixão. Além dessa obra estruturante, também estamos em execução com a maior de todas, o Cinturão das Águas. O investimento é de R$ 1,5 bilhão, obra em plena execução, também, e que fará com que as águas do São Francisco, que pelo projeto original da transposição já chegam à bacia do Jaguaribe, possam alimentar todas as outras grandes bacias do Ceará. Vai para o Oeste do estado, que é a região mais crítica sob o ponto de vista de insuficiência de água, atravessa o Cariri, de ponta a ponta, serve já inicialmente, toda aquela região de Crato, Barbalha, Juazeiro, mais adensada, permite que se retome atividades de irrigação pela oferta de água o ano inteiro, mas ele não para por ai. O canal segue, vai para o Cariri Ocidental, entra nos Inhamuns, alimenta, portanto, vai perenizando todos os afluentes do Jaguaribe. Por isso, por exemplo, o açude de Orós, que no projeto original não teria qualquer benefício, passará a ser também uma barragem alimentadora, uma barragem pulmão. Alimenta o próprio Jaguaribe, o Banabuiu, o Quixeramobim, a bacia do Poty, a bacia do Coreaú, do Acaraú, do Aracatiaçu, a bacia do Curu, crítica para o Pecém, a região como um todo que padece da falta dágua. Pelo outro lado, a bacia metropolitana chega aqui pelo Eixão, por isso é que se encontram e se dá o nome de Cinturão. Nós ficamos com a melhor estrutura de recursos hídricos, me perdoem a vaidade, ficaremos com uma estrutura hídrica que nem Israel tem, apesar de ser um país conhecido no mundo inteiro como onde se fez mais coisa nessa área. Vamos ficar com a possibilidade de manejar a água e com uma fonte externa que é segura. Falei apenas dos projetos macro, mas há uma série de outros projetos. A verdade é que em tempo algum da história do Ceará se investiu tanto nessa área...

OP – Governador....
Cid – Desde a coisa chamada cisterna. Uma modalidade voltada para atender uma família isolada. Quando você não tem uma rede próxima, não tem um açude próximo, a forma recomendada é fazer uma cisterna para que ela acumule a água da chuva e dê a possibilidade de atender às necessidades básicas por um bom período. Ao longo de toda a história do Ceará foram feitas 22 mil cisternas de placas, uma parte delas feita por ONGs, Cáritas etc, não foi o governo. Nós estamos implantando 153 mil, quase oito vezes tudo que foi feito em matéria de atendimento individual.

OP – Nós tínhamos 22 mil casas...
Cid – Vinte e duas mil casas, no Ceará, com cisternas. E, repito, boa parte delas que não foi feita pelo governo, por entidades não governamentais, pelo Dnocs, e uma parte, não sei precisar quantas, realizada pelo governo. Nós estamos implantando 153 mil! Quase oito vezes tudo que foi feito na história, pelo governo e outros agentes. Hoje até deve ser mais porque continuam entidades não governamentais.  Bom, sistemas de abastecimento dágua, que é outra coisa importante, quando assumi o Estado dispunha de apenas três máquinas perfuratrizes, hoje são 11. Quer dizer, por qualquer ângulo que se queira ver a área dos recursos hídricos esse governo é um governo que se destaca. Diria que em barragens, talvez, o do Ciro (Gomes, irmão e ex-governador) tenha feito mais do que nós, porém, assim mesmo, se é para contar como coisa do governo, foi feito o Figueiredo, o Missi, o Gameleira, o Jatobá, o Mamoeiro, o Jenipapeiro, enfim, fizemos vários açudes. Em relação às adutoras, de novo, nenhum governo chegou à metade do que executamos. Do que vem à cabeça, agora, executamos 50 km para atender Tauá, 30 km para atender Quiterianópolis, 150 km para atender Crateús, 40 km para atender Irauçuba, 20 km para atender Potiretama, 40 km para atender Caridade e Canindé, 25 km para atender Caririaçu, sem falar de outros tantos, devemos ter executado, seguramente, mais de 1.000 km de adutoras para atender centros urbanos. Alcântara, Beberibe, Pindoretama, Fortim, sistema de abastecimento dágua de Aracati foi feito no meu governo, fiz Maranguape, sede e alguns distritos...

OP - Pelo que o senhor está falando...
Cid - Em matéria de água, desde o grande investimento até o micro, não há parâmetro de governo que tenha feito próximo do que nós. Em um setor apenas, acho que açudes, acho que o Ciro fez mais. Na infraestrutura estradas, o que realizamos equivale a tudo que foi feito pelos outros governadores, somados. Entre restauração e implantação de novas estradas, há melhoria no padrão, duplicação, tudo sem cobrança de pedágios. São Paulo, por exemplo, deve ter tido uma grande ampliação de duplicação de malha viária, mas foi cobrando pedágio, ao contrário do que acontece aqui. Devia existir uns 30 km de Fortaleza a Pacatuba, imaginemos mais 30 km até Aquiraz e uns 10 km no trecho até Maranguape, quer dizer, somando tudo era 70 km. Pois nós estamos fazendo 200 km de estradas duplicadas e posso mencioná-las: Aquiraz-Cascavel, Beberibe, Pacatuba-Guiauba-Acarape-Redenção, Caucaia-São Gonçalo do Amarante-Paracuru e estamos prosseguindo agora para chegar até Trairi, a duplicação do Anel Viário desde Caucaia até a Ponte da Sabiaguaba, enfim... Outra área importante, portos. O que fizemos em termos de investimento é mais do que foi feito para implantação do Porto do Pecém, nós mais do que dobramos o investimento lá. Fomos de dois para quatro berços, implantação de descarregadores, aquisição de descarregadores, de esteiras, aquisição de outros equipamentos. Acho que em termos de infraestrutura o governo é um governo que se destaca e é fácil perceber isso. O Ceará é o quarto estado brasileiro que mais investe, enquanto temos a 11ª economia...

OP - Em valores brutos?
Cid - Em valores brutos, valores absolutos. Estamos à frente de Pernambuco, Paraná, Bahia, Goiás, Espírito Santo, Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, todos estados com economias maiores. Aeroportos? Também há investimentos importantes neles. Outro ponto a analisar é o da prestação de serviços sociais, os serviços de atenção, o que inclui saúde, segurança pública, educação, assistência social. Em educação, o que foi executado ao longo desses anos, frente ao que foi planejado, também se pode considerar uma conquista. O Ceará tinha muito pouca interlocução nos municípios e isso é fundamental, porque você não pode ficar aqui simplesmente cumprindo suas obrigações no ensino médio, esperando que o aluno venha do ensino fundamental deficiente, do ensino infantil deficiente, do processo de alfabetização etc, para conseguir recompor. Nossa postura foi de ajudar os municípios, na base, começando pelo processo de alfabetização. Agora estamos avançando, pegamos as duas séries iniciais, 1º e 2º ano, pegaremos 3º, 4º e 5º, apoiando, orientando, avaliando as crianças, e isso tem tido um efeito notório. O Ceará passou a ser uma referência no Brasil nesse próprio de acompanhamento e de melhoria na qualidade das séries iniciais do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, focamos nossa atuação na busca de identificar os fatores que respondem pelo problema de ainda termos muita gente fora da sala de aula. Identificamos dois: um, a necessidade de levar escolas de Ensino Médio para sedes de municípios que não tinham, os pais eram obrigados a levar para outras localidades, e para grandes comunidades rurais. Então, devemos ter feito mais de 70 escolas de Ensino Médio, o que é recorde, em pequenas comunidades, pequenos municípios e em alguns distritos. Atacamos um outro ponto identificado como responsável pela baixa matrícula, não se trata de falta de oferta, a realidade é que existia sala de aula no 3º ano com oito alunos, procurando implantar escolas com algum atrativo, pelo tempo integral e pela perspectiva de formar as pessoas num nível técnico...

OP – Escolas profissionalizantes.
Cid - Exato. A um só tempo, portanto, a escola que pensamos resolve os dois problemas identificados, porque é atrativa, tem tempo integral, biblioteca, laboratórios etc, além de suprir a questão da deficiência na formação técnica, que é nacional. Não existia nenhuma dessas escolas e hoje já são 105, há algumas ainda por inaugurar, outras por iniciar, e a nossa meta é universalizar o acesso e significando que os municípios com mais de 25 mil habitantes, todos, terão escolas de ensino profissional e os menores estipulamos que devem se organizar em consórcios para providenciarem os transportes dos alunos que o Estado se compromete a construir uma unidade escolar. Já existe uma experiência verificada envolvendo Mocambo, Pacujá e Graça, municípios vizinhos, em que uma escola atende aos estudantes dos três. Só acredito em política feijão com arroz, no sentido de que ela seja universalizada, não é só, como já vi no passado, construir uma escola integral, botar na televisão e tentar enganar as pessoas com a ideia de que exista escola com tempo integral. Lembro que quando assumi o governo havia uma escola de tempo integral, que era o Justiniano de Serpa, em Fortaleza. Não era profissionalizante. Hoje são 105 e a meta é universalizar até o final do governo. Fisicamente não conseguirei, mas os recursos ficarão assegurados, porque a verba que acabei de garantir no Ministério da Educação assegura a construção de mais 22.

OP - A pergunta era sobre o geral do cenário, mas nessa questão da educação....
Cid - Estou dizendo objetivamente as realizações, mas é fácil apurar. Em educação é fácil verificar, porque existe uma padrão, chamado Ideb, que nos permite saber qual é a nossa posição, como a gente evoluiu. O Ceará, em 2007, primeiro Ideb, ocupava a 11ª posição entre os 17 estados do Norte e do Nordeste. No Ideb agora, de 2013, somos o 2º do Norte e Nordeste, e é verdade que antes, em 2011, chegamos a estar em 1º. Ou seja, tivemos no último ano, de fato, uma queda, ínfima, no Ensino Médio, que creio que seja fruto da ampliação. Claro que toda vez que você amplia, oferece mais matrícula, é natural que ocorra uma oscilação pra baixo. Quando você opta apenas por cuidar de uma rede já existente torna-se mais fácil e a tendência é de crescimento, mas quando você faz opção por ampliá-la acaba comprometendo em algum momento. O fato é que comparando 2013 com 2007 há uma evolução significativa no 5º ano, no  9º ano e no 3º ano do Ensino Médio, que é onde faz o Ideb, são dados acessíveis.

OP – Agora, qual é o sentimento do senhor. É isso que esperava? Foi feito tudo que era possível?
Cid - Olha, educação é um trabalho que aparece imediatamente, com algumas ações. É o caso do programa da Alfabetização na Idade Certa, fazendo com que a gente passasse da água para o vinho, de um percentual de 45% de crianças alfabetizadas aos 7 anos para 90%. O indicador de Ensino Médio ideal é 6, nós estamos em 4,7 ainda, mas antes era 3 vírgula pouco. Sendo que o Ensino Médio demanda uma formação inicial melhor, então, não tenho dúvida, a tendência é de crescimento permanente dos indicadores de Ensino Médio no Ceará. É importante dizer que nós não estamos abaixo da média do Brasil, em todos nossa média superior à nacional. Agora, não vivemos numa ilha, nós somos nós e as nossas circunstâncias. O Ceará tinha tudo, pela questão de renda, de renda per capita etc para ter alguns dos piores indicadores do Brasil e, ao contrário, repito, dos 17 estados do Norte e Nordeste deve ser o 14º quanto à renda per capita mas estamos em 2ª posição em indicadores de educação. Outro problema é a saúde, que a própria população indica, em pesquisas, ser a maior preocupação das pessoas. Tem uma parte que, óbvio, é real, realíssima, a população tem muita razão em se queixar, mas um outro componente a considerar é o psicológico. O que quero dizer é que temos, de fato, a nossa necessidade, mas há a crônica negativa que acaba assustando e, finalmente, há um outro aspecto que pesa: você sempre parte do pressuposto de que o seu problema é que o mais grave do mundo. É natural. A política para saúde no Estado do Ceará resumia-se à seguinte coisa, vou dizer aqui bem claramente: um programa de apoio a hospitais municipais, hospitais considerados pólos. Nesse apoio nós triplicamos o valor e ampliamos a quantidade de hospitais. Era isso e os grandes hospitais de Fortaleza, o HGF, o Albert Sabin, o São João, Messejana coração, Messejana cabeça, o Valdemar de Alcântara e o César Cals. Esse era a política de saúde do Estado. Em todos esses hospitais, todos, nós ampliamos a quantidade de leitos, sem exceção. Com os hospitais regionais construídos estamos chegando à incrível marca de, em oito anos, termos dobrado a quantidade de leitos de internação no Ceará. Vou repetir! Estamos fazendo em oito anos tudo o que foi feito em matéria de disponibilidade de leitos para internação no Ceará ao longo de sua trajetória. E fizemos algo que é revolucionário sob o ponto de vista da organização do modelo de saúde, porque saúde é uma coisa complexa. Pelos níveis de atenção, há a primária, a secundária, a básica, a terciária, tem a urgência, aquela seletiva etc e tal. Tudo isso era completamente desordenado e, nesse aspecto o Ceará é pioneiro, não fui eu quem inventou a roda, em matéria de atenção primária, sempre fui um Estado que teve cobertura maior, o que fizemos foi apoiar a aquisição de novos equipamentos, construir novas unidades etc. Enfim, anda mais no Ceará, avança mais, essa cobertura de atenção primária. Na atenção secundária era o caos, cada um que resolvesse. Política de atenção secundária à saúde nos municípios resumia-se ao seguinte: uma casa de apoio instalada em Fortaleza, alguém que, geralmente por amizade ou um fora a parte, conseguia marcar uma consulta coisa e tal e assim caminhava a humanidade. Era assim que funcionava. Nós organizamos isso em consórcios e procuramos estabelecer uma política que fosse capaz de tratar os dois caminhos da saúde. Um, a emergência, que não tem hora, tem um problema grave, quer dizer como se organiza isso? Tem o Samu, que é pegar a pessoa, mas numa situação em que esta pessoa não fique devendo favor a política e que alguém qualificado, com formação, que saiba para onde caminhar o paciente a partir do caso. Você não pegar uma enxaqueca e encaminhar para o HGF, não pode pegar um derrame cerebral, um AVC, e levar para uma UPA! Sabem quantos municípios tinham Samu no Ceará quando assumi o governo? Dois, dois. Fortaleza, implantado pelo Juraci (Magalhães), e Sobral, implantado por mim quando era prefeito. Hoje são 106 municípios e trabalharemos, se Deus quiser, para universalizar o programa e levá-lo a todos os 184. Na sequência, UPAs. Não faz sentido levar para o IJF um caso em que uma criança é socorrida por levar um corte, uma situação que pode ser resolvida com uma suturazinha, a UPA dá conta de resolver, e são unidades de pronto atendimento que funcionam 24 horas por dia. Como primeiro cuidado, não há nada melhor no mundo, tem lá vários serviços, raio x, sutura, sala de ressuscitações, pediatra, inclusive. É um modelo que se pratica na Inglaterra, país que se diz ter uma das melhores políticas de saúde do mundo. UPAs, quantas tinha no Ceará? Nenhuma, já estamos com 25. É uma espécie de rede de desafogamento, descongestionamento dos hospitais. ou seja, boa parte dos problemas que iam para o IGF ou para o HGF hoje ficam nas UPAs falam por si só, não tenho aqui os dados exatos mas foram mais de 2 milhões de cearenses atendidos em cerca de dois, três anos de implantação. Além disso, houve a interiorização, os hospitais macrorregionais para resolver o problema da emergência. No Cariri, já funcionando, em Sobral, já funcionando, e o de Quixeramobim, que ficará pronto ainda esse ano, e nesses dias, falta apenas a licença da prefeitura de Maracanaú (risos), estaremos começando o Hospital Metropolitano. Será a primeira experiência de PPP (Parceria Público-privada) nessa área de saúde. Na área que os técnicos chamam de Procedimentos Eletivos, necessidade de uma endoscopia, onde não há emergência, que pode ser marcado para três dias depois, uma semana, como faz isso? Nós, aqui, procuramos dar forma a isso constituindo os consórcios para universalizar uma política de atendimento em saúde eletiva. Foram criados 21 consórcios no Ceará, nenhum outro estado brasileiro tem nível igual de organização, todos eles aprovados por Câmara de Vereadores, pela Assembleia, todos com CNPJ, com dinheiro em caixa, responsabilidades claras, 40 por cento no mínimo do Estado e os 60 por cento dosa municípios, desde que o valor não supere 10 por cento do ICMS dele. Com isso, na prática, hoje o Estado está com 55 por cento e os municípios com 45 por cento, e ai tem uma Policlínica, que são médicos, consultas de outros técnicos e exames especializados. Sabe quantas mamografias o Ceará fez em 2006? Seis mil. Nós fizemos em 2013, o último dado de que disponho, 80 mil monografias. Veja a diferença! Há ainda os Centros de Especialidades Odontológicas, tudo funcionando, é importante dizer, funcionando sem a história do favor político, a pessoa vai referenciado pelo consultório de atenção básica, é o médico que deve apontar o exame, a consulta que a pessoa precisa. Em matéria de saúde nós temos um modelo muito razoável, mas é o caso de dizer que está bem? Claro que não! Há necessidade, ao meu juízo, de ter mais UPAs, você tem o componente dos prestadores de serviço e ai o Camilo (Santana, candidato ao governo) está propondo uma coisa legal. O que o Camilo propôs já pode ser testado na prática..

OP - É a remuneração dos profissionais pelo nível de satisfação do público, não é?
Cid - É, é uma gratificação a partir da análise do paciente, feita por ele. Já temos isso no Vapt-Vupt, em Juazeiro do Norte. Em cada guichê de atendimento, são dezenas de tipos diferentes, tem um terminalzinho com os símbolos de alegre, média e triste, três níveis de classificação. O consórcio, então, é remunerado em parte por isso, incluiu-se o nível de satisfação na política remuneratória. Perdoem a modéstia, sempre, mas o modelo de saúde aplicado aqui no Ceará é revolucionário, não há outro estado brasileiro com algo semelhante e, também, que tenha investido tanto na área.

OP - O que então estaria por trás da insatisfação da população, que, é verdade, não é apenas no Ceará. O fato, porém, é que saúde continua sendo o problema número um para os brasileiros e para os cearenses. Há necessidade de dar tempo à maturação de tudo isso que o senhor diz que foi feito?
Cid - Claramente, claramente, nós tínhamos uma ultradeficiência de leitos. Claramente. Tanto é que, falei aqui, ampliamos todos os hospitais de Fortaleza, implantamos um grande hospital no Cariri, implantamos um hospital em Sobral, implantamos as UPAs, e ainda há muitos problema. Outro dia estava no Facebook e uma menina reclamou que um parente estava na UPA do Pirambu, precisando de uma UTI e estava enfrentando dificuldade etc. Lá fui, então, resolver aquele problema. É claro que quem vê aquilo ali acha que está em crise, certamente a tendência de uma pessoa dessa é, claro, sair dizendo que há problemas, que um primo demorou oito horas para conseguir um leito de UTI. Estou, com isso, reconhecendo que há deficiências, tanto é que nós estamos andando para um Hospital Metropolitano e um outro mais regional, em Jaguaribe. As promessas dos candidatos para a Saúde, tanto Eunício (Oliveira, do PMDB) como Camilo, são duas coisas que eu já começo agora, certo. A do Camilo tem essa parte criativa de sugerir uma gratificação e o Eunicio, ao que me consta, a única coisa que tem prometido é o que já estou fazendo: a construção dos hospitais do Jaguaribe e o Metropolitano.

OP - Já dá pra sentir os efeitos do funcionamento dos Hospitais Regionais, principalmente no sentido do desafogo dos grandes hospitais de Fortaleza, como IJF, HGF?
Cid - A gente tem de tudo. Outro dia eu estava em Brejo Santo e uma mulher me disse ter sido super-bem atendida num hospital lá da sua cidade, Sobral. A mulher saiu de Brejo Santo para fazer uma cirurgia neurológica em Sobral. Infelizmente, o Regional de Sobral ficou com a pecha do Hospital da Ivete Sangalo, do hospital da marquise que caiu etc, mas digo ficou porque o adversário diz isso, o adversário diz isso. Mas, o Hospital de Sobral faz cirurgia com equipamentos que só existem no Brasil no Albert Einstein e no Sírio-Libanês. Você acredita nisso? Estamos zerando a fila de operações neurológicas no Hospital Regional Norte. Tenho no meu Facebook, de vez em quando posto o que o Gerardo me manda, porque o equipamento filma. Outro dia ele mandou o caso de uma pessoa que tinha problema no nervo do rosto, uma mulher que tinha dores permanentemente, o dia todo, abriram e era um nódulo que encostava e pressionava, foi retirado e ela saiu morta de satisfeita etc tal. Tinha um outro caso que ele mandou de uma pessoa que tinha dificuldade de cheiro, crônico, há anos não sentia cheiro de nada. Também era um nódulo que foi retirado. Quinhentas! Foram 500 cirurgias, cada uma delas com duas, três horas, demandando médicos especializados, então tem coisas que acontecem e em outras a gente se engasga com um mosquito. Depende do conjunto de componentes, mas, sinceramente, eu acho que houve avanços significativos. Essa não é a área em que estou mais desconfortável. Na área de prestação de serviços, claro, é a segurança. Já estou em fim de governo e é preciso que se diga, até como conforto pessoal, sei a importância que o tema segurança teve na linha eleição e prezo muito por honrar minha palavra, não tenho dinheiro, não tenho a tradição, é esquisito colocar isso, sou um político que veio do Interior, conquistei o governo do Estado na oposição, não fui eleito pelo Poder. Meu patrimônio é a minha palavra e eu prezo muito por isso, fui eleito pela primeira vez, especialmente na Região Metropolitana, em função de dois compromissos: um, implantar o programa Ronda do Quarteirão e implantei para além do prometido. Prometi implantar na Região Metropolitana, explicando como é que era, o adversário dizia ser impossível, e eu disse que iria dividir a cidade em áreas de no máximo três quilômetros quadrados, daria 98 áreas, depois subdividi. Quando assumi tinha 40 viaturas operando na Região Metropolitana, pois só agora renovei a frota e 120 eram apenas para a Grande Fortaleza.

OP - O conceito do programa, que instituía uma polícia comunitária, está preservada? O senhor considera?
Cid - Bom, segurança, já disse isso uma vez e vou repetir: nenhum governante do Ceará pode se arvorar de ter deixado a segurança pública melhor do que encontrou. Nenhum, em matéria de indicadores de homicídios. E isso é verdade! Ai vem aquela história de que em Pernambuco se fez. Só que Pernambuco chegou a 66 cinco antes do Ceará, ou quatro anos antes, e quando você chega no pico a tendência natural é que, de alguma forma, até por gravidade, de cair. Ninguém pode se arvorar e, ao meu juízo, ninguém pode fazer demagogia. Digo isso com autoridade de quem não fez demagogia, minhas promessas na área de segurança foram: implantar o Ronda do Quarteirão na Região Metropolitana de Fortaleza, e eu fiz mais, implantei em todas as cidades com mais de 40 mil habitantes...

OP - Mas a ideia, governador, está preservada?
Cid - Eu acho a ideia fundamental. Segurança é uma coisa complexa, por natureza, porque a responsabilidade não é só de um. Você não pode apontar um dedo para um e dizer que é o responsável e se ele não der conta prende, arrebenta etc. Primeiro, depende do conjunto da população, porque não se pode impedir que um cidadão um dia tome um porre, chegue em casa bêbado, dê uma surra na mulher? Você pode impedir uma coisa dessa? Isso não vai para estatística? No mundo, agora mesmo na África do Sul, um atleta paraolímpico, superconhecido e tal, chegou em casa e matou a mulher! Você impede isso? Óbvio que não, óbvio que não. Estou no extremo, é claro que tem outros casos possíveis de combater, mas o que quero mostrar é que existem agentes externos que são impossíveis de se corrigir ou impedir. No que é da responsabilidade do Poder Público, no sentido latu sensu, você tem a Polícia Militar que deve prevenir e como se faz presença? Não tem conversa, é quantidade, mobilidade e outros instrumentos modernos, que tenho procurado fazer, como câmeras, viatura-moto... A promessa do Eunício para essa coisa da Segurança, me perdoe, é ridícula. Levar o (batalhão) Raio para o Interior, esse é compromisso dele. O Raio quando eu assumi era nada, nós ampliamos significativamente dentro do sentido de que Polícia preventiva é presença. Hoje, nós temos no Ceará 10 mil e 200 soldados na rua. Sabe quantos destes foram contratados no meu governo? Sete mil, 7 mil, de 10 mil e 200 que estão hoje em efetivo serviço na rua, 7 mil foram contratados no meu governo. Acabei de falar de viatura, havia 40 operando na Região Metropolitana e hoje devem ser 250. Quantas vezes mais? Seis vezes mais! Viatura mesmo, ai vem aquela crítica miúda, demagógica, de Hillux não sei o quê.. Qual é o carro que a Polícia de São Paulo está usando agora? Hillux.

OP - Governador, o senhor estava falando do Ronda e citou um segundo programa....
Cid - Não, meus dois compromissos foram Ronda do Quarteirão na Região Metropolitana e eu fiz mais, fiz a Região Metropolitana e várias cidades, todas com mais de 40 mil habitantes. O outro era priorizar a Segurança Pública, lembro bem, tenho meus programas de TV todos gravados. Era priorizar a Segurança Pública e priorizar não é discurso, é orçamento, participação no orçamento. Então, eu me comprometo de ampliar a quantidade de recursos, o percentual de recursos do Orçamento do Estado que será destinado à Segurança. Fazendo um balanço: valores reajustados, aproximados, R$ 600 milhões em 2006, pulamos em 2013 para R$ 1,8 bilhão, três vezes mais foram investidos. Tudo bem, ai vem a crítica demagógica de que gastou não sei o quê, não planejou, mas, então, me diga onde foi o erro? Foi na Hillux? Sinceramente, não acho que seja. Mostra um cemitério de Hillux, tá, mas em qual lugar do mundo uma viatura consegue durar a vida inteira? Viaturas de polícia, como regra, se expõem a riscos diferentes, a riscos exagerados, então, precisa de uma perseguição, vira e, muitas vezes, um carro virado se torna mais barato se desfazer dele do que recuperar. Desde o ano passado, para não dizer que tem a ver com campanha, que o edital do leilão, do tal cemitério de Hillux, é o número um de 2013. Leiloamos agora, na última terça-feira, e com deságio, ágio pra gente, de R$ 400 mil nós conseguimos arrecadar R$ 2,7 milhões. Renovei a frota de todo o Ronda do Quarteirão das cidades que foram implantadas primeiro.

OP – O Sr. diz que teve dois compromissos e honrou os dois.
Cid – Honrei os dois.

OP – Onde deu errado, então? Essa é a questão que se impõe.
Cid – Você sabe aquele filme Efeito Borboleta? Será que seria possível voltar sete, oito anos e fazer diferente? Ou não ter feito o que foi feito? Como estariam os números hoje? Aconteceu neste período um fenômeno que tem relação com o crack, que é motivação para 80% dos homicídios. Fomos ineficientes de cuidar da questão crack? Bom... Temos procurado trabalhar com esta questão há muito tempo. E no início do meu segundo governo eu formalizei uma coordenadoria (de combate às drogas). Um dia desses um cara fez uma demagogia dizendo que o orçamento do assunto droga era ínfimo. O assunto droga não é um assunto que esteja em uma secretaria. A coordenação não tem nem orçamento – o nome está dizendo, é para coordenar as ações que estão nas várias secretarias. Hoje, por exemplo, não temos deficiência de vaga para internação. Quem quer internação, o Estado está garantindo o tratamento. Mas não é só o viciado. Quando ele se vicia, muitas vezes ele recorre à violência e, muitas vezes, num assalto, acaba matando uma pessoa. E tem as mortes do narcotraficante, disputando espaço com outro, tem a morte do devedor... O que podemos fazer? Centralizamos a investigação dos homicídios. O que se recomenda para a identificação de pessoas que provocam violência? Polícia Científica. E nós criamos uma estrutura a parte, que é a Perícia forense, dupliquei a quantidade de pessoal e fiz investimentos em estruturas físicas e equipamentos. Eu mudei de secretário...

OP – E mudou de perfil. Saiu um formulador...
Cid – Mudei três vezes.

OP – E entrou o “pé de boi”.
Cid – Muito bem. Isso tudo demonstra minha disposição de acertar e de não me conformar com resultados ruins. Tive um secretário (Roberto Monteiro, que implantou o Ronda), no começo do segundo governo mudei o secretário (Coronel Bezerra), depois mudei de novo o secretário (Servilho Paiva, atual titular da Pasta). Há aí uma coisa que a meu juízo é um fator que acaba também interferindo e, parece, que vocês têm uma opinião diferente. Eu penso que hierarquia é fundamental em força de segurança. E houve uma quebra de hierarquia quando houve aquele movimento grevista, uma coisa que é constitucionalmente proibido por lei e isso até hoje tem provocado uma situação de dificuldade no comando.

OP – Se o senhor pega as taxas de homicídio, elas crescem muito após a greve ou motim da PM. Aquele é um momento chave. E o senhor coloca a questão da quebra de hierarquia, que de fato houve. O senhor não deveria ter demitido, naquele momento, o comando da Secretaria da Segurança?
Cid – Rapaz, devo confessar o seguinte: eu sou muito ruim de demitir. Eu não gosto, não gosto de demitir, e acho que muitas vezes é demagógico personificar a culpa. Eu sinceramente tenho restrições à esse posicionamento. Questões pessoais, questões pessoais. Estou admitindo sinceramente. (Pausa)

OP – O senhor fez um balanço do seu governo. Se tivesse de escolher uma área para dizer ao seu filho “disso eu me orgulho”, qual seria?
Cid – Educação, sem titubear.

OP – E qual o senhor diria, “isso eu preciso conversar com meu analista porque não consegui resolver”?
Cid – O desafio da segurança. E entenderei assim até o último dia. Agora, último ano da gestão, nós implantamos uma política de gratificação vinculado a resultados, que está apontando uma indicação de que a curva se inverte e que há uma redução dos homicídios. Não vou desistir, vou continuar. Mas é a área em que houve uma piora em relação ao que eu recebi.

OP – Nesse período que vai terminar agora o senhor teve dois grandes problemas: o dos banheiros e o dos consignados. O Sr. entende que dentro desses episódios o governo agiu...
Cid – Corrupção e desvio de dinheiro é inerente da natureza humana. NO serviço público, isso está presente desde que ele está implantado. A diferença entre um governo sério e um conivente é como encara isso.  No caso dos consignados, para começar, não se trata nem de dinheiro público. A denúncia é que tem um parente do secretário (Arialdo Pinho, da Casa Civi) ganhando comissão para fazer empréstimo consignado. Recursos do banco junto aos funcionários. Sempre tratei dessa questão de forma transparente possível. Fui à Assembleia de peito aberto.  Apurei. Não havia relação entre o Bradesco, que é quem faz essas operações. Se o secretário da Casa Civil quisesse fazer tráfico de influência, ele não tinha poder. O que eu fiz foi abrir para a Caixa Econômica Federal, um banco público. E eu não vi nada que ligasse o secretário da Casa Civil. O rapaz era de fato parente dele e recebia comissão como outros recebiam. E até onde me consta era uma disputa: o denunciante fazia (consignado), o Bradesco descredenciou, ele ficou com raiva e denunciou. Isso é briga de vendedor. É isso, briga de vendedores. Até que me provem o contrário, não havia relação. Por isso, o secretário continuou. E o caso dos banheiros, idem, idem. O que a gente pode fazer se você faz um convênio com 200 associações para suprir uma deficiência que é clara? Alguém questiona que há uma deficiência de banheiros em de famílias pobres,?

OP – Pelo contrário, isso agrava o crime.
Cid – Estou dizendo do programa. O programa não está errado, ele é para isso. Por que esse nome de banheiro ficou tão pejorativo, não é? Programas de construção e de apoio a famílias de baixa renda para unidades sanitárias é razoável que tenha. A Fundação Nacional de Saúde tem isso. O Governo do estado tinha há muito tempo – e não fui eu que implantei. O Estado não tem meios para ir executar os banheiros. Então, manteve-se uma prática de fazer com associações comunitárias, da mesma forma que é feita com o Projeto São José. Então, o que é possível fazer se uma dessas associações desvia dinheiro, não aplica no que era sua finalidade e tinha um conivente dentro da Secretaria e tinha atestado que a obra havia sido executada? O que se faz em uma situação como essa? Sindicância. A pessoa convivente foi demitida e abriu-se uma tomada de contas especial para cobrar da entidade que ela executasse os banheiros. É engaçado cobrar politicamente isso... Querem colocar (a responsabilidade) no Camilo. Isso aconteceu na eleição de 2010. Todo mundo sabe quem foi. O deputado que é acusado de fazer isso está lá apoiando o Eunício Oliveira (Teo Menezes, filho do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Teodorico Menezes). O Camilo assumiu a secretaria depois, em janeiro. A liberação do recurso tinha acontecido em abril do ano anterior. O que o Camilo fez foi instalar Tomada de Contas Especial. E vai atribuir a ele? Brincadeira. Nós tomamos as providências. Vou repetir: possibilidade de desvio de recurso tem de haver acompanhamento permanente. A diferença entre um governo sério e um conivente é a providência adotada.

OP – A questão é que havia uma fiscalização frouxa dos convênios...
Cid - Não foi a fiscalização. Foi um funcionário que era responsável e fraudou a fiscalização. A fiscalização atestou que não estava feita. E ele deu uma declaração dizendo que estava em  execução. E, com isso, liberou-se a segunda parcela. Eles receberam a segunda parcela com a declaração de um funcionário que prevaricou e foi demitido.

OP – O senhor diz que não era frouxa, mas o próprio Governo mudou as regras de fiscalização.
Cid – Muito bem, é claro. Suspendemos o programa. Aqui no Brasil temos uma coisa que se aquela vaca está com carrapato, em vez de matar o carrapato, você mata a vaca. Foi o que aconteceu: nós suspendemos o programa para que não ficasse nessa lenga-lenga, exploração política. Agora, estamos retomando pelo Projeto São José.

OP – Como o senhor compara seu segundo governo com o primeiro?
Cid – Pessoalmente, é claro que eu tinha muito mais saúde no primeiro. Mas, enfim... Se a gente for ver números, não acho que tenha grande diferença, não. Pelo contrário, eu acho que o segundo é mais operoso. Agora, fisicamente eu não tenho mais a mesma saúde.

OP – O senhor está saindo de licença e quando retornar ao Governo, muito provavelmente o cearense já terá um novo governador eleito, a não ser que tenhamos um improvável segundo turno. O senhor esperava que essa sucessão fosse tão dura quanto está sendo? Aliás, o senhor fez esse mesmo movimento na eleição municipal de 2012 e venceu a disputa com Roberto Cláudio. Mas a eleição para governador é bem mais complexa. O que está nos seus planos?
Cid – (Risos) Eu não sou Maquiavel. Em definições políticas, são tantos os fatores que é impossível planejar todos os fatores. Eu sempre achei que o poder cansa e o poder concentrado provoca desconfiança nas pessoas. Já há uma predisposição de querer algo diferente. Eu sempre achei que nestas eleições as pessoas desejariam alguém novo. De alguma forma, é paradoxal alguém novo apoiado por quem já está no poder e quem concentra o poder tanto no Estado como na Capital. Quais as alternativas que eu tinha? Lá atrás, eu nunca tive a ambição de conquistar ou tomar de um parceiro a Prefeitura de Fortaleza. Eu cheguei a dizer textualmente estas palavras ao ex-presidente Lula quando o procurei: “Presidente, estou vivendo uma situação preocupante e queria compartilhar. É difícil para mim apoiar uma candidatura que seja 100% identificada com a então administração de Fortaleza, mas eu desejo que o PT tenha um candidato. Então, veja um nome do PT. Ele têm nomes que a gente poderia, em comum acordo, votar”. E o Lula disse que iria fazer uma rodada e resolveríamos o assunto. O retorno que eu tive foi a vinda do Presidente Rui Falcão para dizer que a Luizianne (Lins) tinha maioria no diretório (municipal do PT) e que eles não tinham como interferir nisso. Eu disse que ia levar para o partido e que achava difícil apoiar a gestão. Foi daí o lançamento da candidatura do Roberto Cláudio. Eu não queria disputar a Prefeitura. Fui por uma conjuntura e acho que fiz certo. O Roberto Cláudio vai ser um grande prefeito, mas agora está vivendo um momento de desgaste. Agora é que ele vai começar a prestar serviço. A luz disso tudo, qual seria meu melhor caminho? Apoiar o Eunício? Ele me procurou para pedir o meu apoio. Seria o melhor caminho? Penso que não. Eu o conheço bem, bem mesmo, de convivência de muito tempo, e conheço bem o Camilo. O Eunício, a meu juízo, padece de três defeitinhos básicos: é excessivamente ambicioso, e isso é uma coisa perigosa; o segundo deles, tem pouco compromisso com a verdade; e o terceiro, mistura negócios e política. Isso dá um caldo que é absolutamente perigoso para o Estado do Ceará. Pode parecer que estou aqui apelando, em véspera de eleição, mas esse foi o sentimento que me moveu para não apoiar o Eunício. E não foi outro. Alguém pensava: “O Cid vai apoiar um cara do partido dele”. Seria natural, mas não foi a minha opção. “Ah, o Cid vaia apoiar alguém que é amigo dele, lá de Sobral”. Eu procurei entre os nomes aquele que tivesse característica de personalidade que me desse segurança para o futuro do Estado do Ceará.

OP – E por que não foi um daqueles nomes da primeira lista?
Cid – Porque eu achava que o desejo do brasileiro é de uma coisa nova. A opção das pessoas é sempre muito complexa. Eu penso, compreendendo a dificuldade da eleição, mas acho que essa minha opção foi em nome da minha responsabilidade que eu tenho com o Ceará. Estou apoiando aquele que sei que é o melhor candidato.

OP – Mas essa questão...
Cid – Então, por que a dificuldade? Primeiro, eu não sou... Quem escolhe são as pessoas. Com relação aos nossos, eu sei que o Camilo foi a melhor opção. Não quero ofender ninguém. Temos bons quadros: a Izolda, que ficou na vice, o Zezinho, que vai para deputado estadual, o Domingos...

OP – Todo esse pessoal está engajado na campanha?
Cid – Estão. Todos eles engajados. Estive com todos eles nos últimos dois dias. Não tem a meu juízo nenhuma sequela. Mas, de todos esses nomes, o Camilo é o que está mais preparado. E consegue inspirar a visão do novo.

OP - Qual a razão da dificuldade?
Cid - O poder há oito anos, as pessoas naturalmente vão querer testar uma coisa nova, sabe-se o risco disso... E nas duas eleições minhas, havia uma fragmentação das candidaturas. Nessa, a oposição se juntou em uma só candidatura e ela veio de um partido que militava ao nosso lado. E o grau de interesse na eleição é bem menor, as pessoas estão acompanhando pouco. Isso reduz o fator que eu acreditava que as pessoas enxergassem no Camilo um cara novo, com toda motivação. Esse é o quadro. Mas a eleição está indefinida. Essa semana vamos ter debates na TV – o que praticamente não houve. Esse será o fator decisivo para que as pessoas conheçam um pouco mais dos candidatos. Se você for para o voto espontâneo, não chega a 50% a quantidade de pessoas que já tem candidato. Isso é uma tendência mundial. As pessoas estão cada vez menos se ligando (em campanha) e participando. Claro que no Interior é uma eleição mais forte, mas em eleições estaduais o grau de envolvimento não é tão grande. A tendência é essa: as eleições ficarão mais frias. Até porque as pessoas estão menos dependentes do poder público.

OP – O senhor falou da escolha de seu candidato, mas o senhor adiou para a última hora essa definição. O senhor não se arrepende disso, em vez de ter feito como o então presidente Lula fez com a presidente Dilma em 2010?
Cid – Isso não foi uma estratégia proposital. Não tínhamos um candidato natural. Estávamos avaliando. E eu pessoalmente sempre achei que quando você precipita processos eleitorais, isso prejudica a administração. Eu sempre achei isso. Tudo bem, vão dizer que o Eunício já estava em campanha há um ano, mas não tinha uma formalização da oposição por parte das candidaturas. E eu não acredito que ganha quem sai mais cedo. É um conjunto de fatores, e o que está faltando nessa eleição é debate.

OP – Com relação a sua crítica ao candidato Eunício...
Cid – Eu não fiz crítica, não. Esse é o conceito que faço dele. Se eu não fizesse esse conceito, ele seria meu candidato.

OP – Mas não eram críticas que o senhor fazia antes, quando ele era seu aliado.
Cid – Eu não estou fazendo críticas. Estou constatando, estou dizendo porque não optei por ele.

OP – Então, ele é bom para ser senador, mas não para governador?
Cid – Essa coisa é a seguinte... A política é feita de entendimentos partidários. Naturalmente. Ele não foi contra o Tasso? Não se pode dizer que ele derrotou o Tasso para senador e os dois não estão juntos agora? A política é feita de entendimentos partidários. Chega a uma circunstância que para ele fortalecer a candidatura dele era melhor se juntar ao Tasso com quem concorreu para senador. Foi ele que derrotou o Tasso para o Senado, com meu apoio. Senador não manuseia dinheiro. E ainda assim, o Eunício conseguiu saltar... Isso não é baixo nível, não. A legislação eleitoral brasileira diz que as pessoas quando se candidatam a um mandato devem fazer uma declaração de seu patrimônio e ao final também. Para ver se houve evolução patrimonial. É aquela história, se o cara não mudou o patrimônio, menos possibilidade de ter sido desonesto. Se mudou, não quer dizer que tenha roubado, mas isso deve ser justificado. O Eunício saiu de um patrimônio de R$ 36 ou R$ 39 milhões para R$ 99 milhões. Então, é uma coisa que merece atenção...

OP – O seu irmão, o secretário Ciro Gomes, chegou a chamar o senador de ladrão...
Cid – Olha, cada um tem seu estilo. Eu já fui vítima pessoalmente de muitas armações e muitas calúnias, muitas infâmias e injúrias. Tenho sempre muito cuidado em dizer alguma coisa. Estou dizendo em relação ao conceito que tenho dele. Estou dizendo porque é a minha visão pessoal e isso é para justificar porque não apoiei ele. Se eu quisesse uma vida fácil e fazer o sucessor teria apoiado tranquilamente. Mas não fiz opção pelo Eunício por conta desses três defeitos que enxergo nele. E posso dar exemplos: a ambição desmensurada está nisso. A pessoa saltou de patrimônio de 30, 40 para 100?? É uma pessoa ambiciosa. Isso não é defeito por si só. Vamos ver se foi honestamente ou desonestamente. Isso deve ser examinado. E, repito, para mim a política é incompatível com negócios. Na hora que você mistura negócios com política, o céu é o limite. Tudo fica nebuloso. O Eunício mistura muito claramente negócios com política, muito claramente. O Eunício, nessa CPI da Petrobras, fazia chantagens claras ao Governo federal. Claríssimas. É só ver o diretório do PMDB. Veja se não é o sócio número um, o sócio número dois, o sócio número três, que compõem o diretório. São sócios e familiares como regra. E, terceiro, essa falta de compromisso com a verdade. O Eunício mente como cachorro que acua alma. E mente desnecessariamente em coisas tolas. Mente em coisas importantes e coisas tolas. Quer que eu dê um exemplo? Ele estava presente comigo em Sobral para um evento com a presidente Dilma, em que eu fui muito elogiado. E brinquei: o único elogio que eu recebo sem questionamento é que eu sou o maior governador da história do Ceará. Aí dou uma paradinha e digo que sou o maior governador porque eu tenho 1,84m e já pesquisei que nenhum ex-governador teve 1,84m. Uma semana depois, a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, diz que o senador Eunício Oliveira já sabe que vai ser o maior governador porque tem 1,86m. Fiquei com aquilo na cabeça e, dia desses, no Brics, fui na direção dele e disse: “Eunício, que história é essa de você ter 1,86m?”. Fui na direção dele para ficar lado a lado e a gente ver. “Não, governador, você sabe que quando a gente vai ficando velho diminui de tamanho”. Conversa fiada. O cara que mente na altura, me perdoe.... E eu já ouvi muitas. Esses três defeitos para mim são fatores decisivos.

OP – Há uma questão polêmica nesta campanha que foi um pedido para suspender a circulação da revista IstoÉ. O senhor participou desse pedido? Se arrepende desse pedido?
Cid – É muito engraçado isso. É tudo muito engraçado. Peço que façam um mínimo de esforço para se colocar na minha situação. Eu fui vítima, há quatro anos, de uma armação montada da mesma forma pelos mesmos personagens que usaram uma revista de São Paulo para fazer essa coisa. Era a história dos R$ 300 milhões que eu e Ciro estávamos citados em um inquérito da Polícia Federal e que havia desvios de R$ 300 milhões. E quando eu vi aquilo em um sábado de manhã, fiquei chocado pessoalmente. E a minha primeira atitude foi ligar para a Polícia Federal para que eles me dissessem se aquilo era verdade ou se era mentira. E eu não consegui. Eu liguei para o presidente da República, que na época era o Lula, e eu disse: “Eu exijo uma declaração da Polícia Federal. Se eu estou citado, que diga, se não estou citado, que faça justiça. E a Polícia Federal deu uma declaração e colocou no site dela de que não havia qualquer menção ao menu nome e do Ciro. E meus adversários usaram isso na campanha um mês. E eu tenho filhos, tenho mãe, tenho o meu patrimônio pessoal, que é a minha palavra e uma vida de seriedade, sem negócios. Eu não tenho nenhum negócio. Agora é que eu estou pensando no futuro e tem um terreno que comprei quando era deputado estadual, peguei um financiamento do Banco do Nordeste, fiz uma estrutura  e aluguei e isso vai dar uma tranquilidade para minha vida futura. Mas assim mesmo um aluguel, de um terreno que eu já tenho há 20 anos. Essa denúncia me deu depressão. Eu fiquei em casa, prostrado, pelo que fui vítima. Processei a revista. Infelizmente, soube agora que foi arquivado de uma coisa que é clara: se eu fui acusado, cadê o inquérito, cadê a denúncia? Óbvio que não. Foi pura armação. O tal Moraizinho depois disse que recebeu R$ 30 mil para fazer esta denúncia. E agora, de novo, eu assisti esse filme quando recebi de um assessor que uma repórter tinha ligado para saber que meu nome estaria sendo denunciado por este tal Roberto. Ora, vou repetir: eu não conheço, nunca estive com essa pessoa.

OP – Mas, logo em seguida, foram divulgadas fotos em que o senhor aparece com Paulo Roberto Costa.
Cid – Não estou mentindo, não. Eu posso dizer que conheço... sei lá. Tem uma foto minha com o presidente Obama. O Obama me conhece? O fato de ter uma foto comigo quer dizer que eu conheço ele ou ele me conhece. Claro que não. O fato de eu ter estado com o diretor da Petrobras em uma reunião com várias pessoas ou em uma inauguração onde eu estava com o presidente da República... Aliás, vocês devem ter estado lá com algum repórter. O repórter do O POVO conhece o tal Paulo Roberto? Eu continuo com minha assertiva. Não conheço este cidadão. Estive com ele em algumas oportunidades formais, nunca estive com ele pessoalmente, Tetê-a-tete. E veja, a acusação não é que eu conheça ele, a acusação é de que eu teria recebido propina dele. Onde foi, qual o depósito, qual a construtora? Dos outros, eles citam que receberam tantos mil reais de uma construtora... Contribuições de campanha. Eu fiquei ultraincomodado e pedi a um advogado que procurasse proibir a revista de citar o meu nome. Era isso o que eu queria: que ela fosse impedida de citar o meu nome. Até porque, diferentemente do outro, esse processo corre em segredo de justiça. Vocês poderiam estampar num jornal e invocar o sigilo da fonte que o Roberto Carlos estava envolvido. Alguém de má-fé não poderia fazer isso? Segredo de justiça... Nessa tarde, eu liguei para o ministro Raul (Araújo, cearense, ministro do Superior Tribunal de Justiça) para pegar o telefone do presidente do STJ porque, se eu estivesse envolvido nisso, o foro seria o STJ. Liguei para o presidente Falcão (ministro Francisco Falcão, presidente do STJ). Liguei para o diretor geral da Polícia Federal, para o ministro da Justiça, para o ministro Teori Zavascki (do Supremo Tribunal federal, responsável por homologar os termos da delação premiada), de todos eu recebi a seguinte informação: “Governador, o senhor me desculpe mas não podemos fazer nada. Este processo corre em segredo de Justiça”. E eu dizia: “Mas doutor, e como está em uma página de uma revista?” “Não, o senhor sabe, a imprensa...” É essa s situação. Repito: não tenho nenhuma relação com Paulo Roberto. Não tem nem verossimilhança. O que foi que o Estado deu para ele que justificasse que, se eu fosse desonesto, que tivesse cobrado algo em troca? São documentos públicos. O Estado não tem um protocolo... Não tem nada. Se eu fizesse doação, como dizem que ele pediu um terreno, teria de ir um projeto para Assembleia. Juro pela alma de meu pai que não lembro de ter estado com ele sobre este assunto. Acho que quem me falou sobre este assunto foi o Roberto Smith (presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado). Vamos raciocinar. O que justificaria alguém receber alguma coisa de uma pessoa como essa? Ao meu juízo, alguém que tivesse influência para sua manutenção lá, na Petrobras. Alguém acha que eu tenho alguma influência na Petrobras? Alguém acha que eu pedi alguma vez para o Roberto não sei das quantas ficasse lá... a minha relação com a Petrobras sempre foi de cobrança com eles, do compromisso que eles têm de fazerem a refinaria. A parte que dizia respeito a gente, que é com a Petrobras, é a aquisição da área, que nós já fizemos e está disponível para a Petrobras. E desde então, nós só temos cobrado. O que eu posso dizer mais? Eu, de novo, tive problemas pessoais que não foram tão graves quanto da revista Veja, mas depois... Essa coisa do Facebook ajuda muito. Eu coloquei (um post sobre o assunto) e vi reações. Até um cara de oposição que disse “eu não acredito que você esteja envolvido nisso”. Essa coisa é assim: se você for desonesto, você faz isso para incorporar patrimônio. Investiguem meu patrimônio. Eu vou sair do governo com o mesmo patrimônio que eu tenho há 16 anos: dois ou três terrenos em Sobral, um apartamento em Fortaleza, tudo foi comprado antes de eu assumir o governo. Aliás, minto: tenho um terreno na Serra da Meruoca que eu comprei nesse período. Custou R$ 100 mil, tirado da minha conta bancária, pago com cheques em prestações de R$ 10 mil.

OP – O senhor falou que vai ser uma eleição dura e bastante apertada sobre o Governo. E o Senado? Como fica a situação do candidato Mauro Filho?
Cid – No Ceará, o passado recente mostra que o candidato a senador vinculado ao candidato a governador vitorioso ganha a eleição. A exceção foi a do pai do Mauro (o deputado federal Mauro Benevides), em 1974. Mas o Virgílio Távora não apoiou o Edilson Távora. Por trás dos panos, ele apoiou o Mauro Benevides. Foi a exceção.

OP – A outra exceção foi a eleição de Carlos Jereissati para o Senado, pai de Tasso.

Cid – Mas aí é bem anterior. Falo desde que nasci. De lá para cá, todos (os candidatos eleitos para o Senado) acompanharam (o candidato ao Governo coligado). A eleição para governo ainda está indefinida e, consequentemente... A sequência de definição do voto das pessoas é presidente, e aqui no Ceará a Dilma tem 55% espontâneo de presidente; depois governador, deputado estadual, federal e o último voto é para o Senado. Porque, para as pessoas, Senado significa muito pouco ou nada. É longe demais. Porque o deputado federal ainda leva uma emenda para a cidade. Senador, zero. É o último voto. Então, tudo pode acontecer.
(O Povo)